Festival Internacional de Marionetas do Porto

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PEQUENAS CERIMÓNIAS

JOÃO CALIXTO e TIAGO VIEGAS
“PEQUENAS CERIMÓNIAS”

A trágica saga duma noite de café curto e com cheirinho.
Servida pelos próprios e suas marionetas.
O melhor menu de sempre até hoje nesta casa.
Sopa, prato, pão, vinho, café, sobremesa e apetitoso bailado.
(serviço à mesa incluído no menu).

Sentados à mesa, dois moços repousam, entreolhando-se no vazio de uma pausa para a sesta. Ouve-se o rádio e o Capitão dorme. Clientes que entram, outros que saem. Vêm pela refeição do costume ou simplesmente por um copo de bagaço. Por vezes pode-se observar de perto o cozinheiro, um senhor afrancesado cuja vida inscreve-se num armário que abre portas a um universo de facas e cutelos, tesouras e outras ferramentas de utilidade duvidosa. Mas é mestre na ilusão da cutelaria, transformando as suas pommes de terre em extravagantes e deliciosos gourmets . Outras vezes aparece o patrão, um galo em sotaque alemão, elemento de vertigem na sua apressada rotina de barafustar.

Vemos uma mesa, dois bancos e um armário. Desenham este pequeno mundo, onde clientes, trabalhadores e patrão (e ainda um par de bailarinas acrobatas, qual delícia do nosso velho Capitão) partilham este prazer de estar à mesa.
Os dois russos saem cantarolando, depois de conhecerem as maravilhas de um vodka chamado bagaço.
O Capitão sai sem pagar, horrorizado com o último prato-esqueleto que lhe é servido.
As bailarinas não se sabe muito bem: se terão ido dar uma perninha a um outro restaurante do bairro, ou se permaneceram escondidas nos sonhos do Capitão.
O galo-patrão termina assado no forno da cozinha, enquanto
O cozinheiro canta, dando vivas ao seu fatal golpe de vingança.
E os moços lá ficam. À espera dos próximos clientes, do próximo dia, de alguém que apareça. Estão lá para isso mesmo, servir, dar do seu tempo a quem também o tenha para partilhar. Sempre calmos, doces. Sempre prontos a dar um pouco das suas pequenas cerimónias.
Espectáculo pensado para ter uma relação de proximidade com o público (pequenos auditórios, cafés-teatro, e outros), proporcionando a escuta da respiração do actor.
A respiração da marioneta, dos seus membros, articulações, e da relação marioneta/manipulação/manipulador.
Elogio ao mecanismo e sua desmistificação.
Criação.

Criação e Interpretação: João Calixto e Tiago Viegas
Projecto, Cenografia e Bonecos: João Calixto
Encenação: Pedro Santiago Cal
Produção: João Chicó
Fotografia e Video: Frederico Lobo
Grafismo: Pedro Sá Machado
Apoio: Companhia de Dança de Lisboa
Agradecimentos: Nuno Tomaz, Mathieu Matik, Conceição Ferreira, Sérgio Milhano, Nathan Lively, Chapitô, Paté Filmes, Teatro o Bando, Olivia Prieto Vergara.

aspequenascerimonias.blogspot.com
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