Festival Internacional de Marionetas do Porto

FIMP 2010

Será estranho chamar novo a um festival com 20 anos de existência. No entanto, é de um novo ciclo que agora poderá começar  de que se está a falar. É um ciclo que se inicia sobre e sob o importante legado de Isabel Alves Costa e acerca do qual importa reflectir continuadamente, de modo abrangente e partilhado.

Este festival teve, ao longo da sua vida, aparências, formatos e modalidades diferentes, pelo que a sua própria essência se foi, de facto, transformando. (…)Do ciclo terminado resta a memória de todos os que construíram e habitaram este festival. Entre a necessidade de ruptura e a  de permanecer, o que fazer?

Entendemos um festival como o espaço onde o público se encontra com os artistas e também como o tempo em que os artistas se encontram na arte, inclusive com a sua arte em confronto com outras práticas. O festival é virado para dentro e para fora com a mesma intensidade. A sua natureza intrínseca deve ser justamente essa: virar do avesso. Expor o que estava escondido e por mostrar, demonstrar as não evidências de uma prática artística plurívoca – a marioneta, neste caso. Um festival é um evento progressivo e progressista, é sempre novo e ainda assim regressa todos os anos, como certas frutas. É a época em que alguns elementos de entre o público descobrem que são artistas e em que todos o imaginam livremente. É quando aqueles que virão a sê-lo podem estar e ser com(o) os que já são. É também o momento em que as fronteiras se podem dissolver e por isso um festival também é uma festa, uma festa em que se procura abrir e fechar no mesmo movimento, abrir para o todo, a cidade e o mundo, e fechar sobre a necessidade de recolhimento de certas práticas subtis, delicadas, sombrias, experimentais e, por isso, frágeis. (…)

Que caminhos para a marioneta no século XXI? É esta a interrogação que anima o FIMP de agora em diante. Cada espectáculo apresentado, cada artista convidado será desafiado a trazer consigo um fragmento de possibilidade.

Daremos (continuaremos a dar) uma atenção particular às possibilidades de hibridação com as outras artes (da cena e de fora dela), fá-lo-emos segundo uma perspectiva múltipla e em múltiplos sentidos: da marioneta para as outras artes, das outras artes para a marioneta, cruzando as artes do tempo com as artes do espaço, o gesto com o rasto.(…)

Igor Gandra,
Director Artístico do Festival Internacional de Marionetas do Porto

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